Fim em 7 dias
“A vontade do homem não é só sua melhor qualidade, como também seu maior defeito”
Em um dia claro numa pequena cidade ao pé de uma montanha, velhos, adultos e crianças viviam suas vidas pacatas. A brisa suave e tênue que balançava as árvores trazia um sentimento de conforto que acomodavam seus corações.
Rud, um grande mago da região, ajudava de bom grado os comerciantes de sua cidade, porém ao decorrer de tal tarefa, um sentimento de temor surgiu em seu peito. Durante a tarde daquele mesmo dia, o céu azul foi tomado por nuvens densas de cor bordô, o evento fez com que as pessoas estranhassem tal fenômeno e logo todos estavam fora de suas casas para ver.
Com as nuvens se alastrando cada vez mais, o país inteiro já havia sido tomado, assim fazendo com que o mais profundo breu caísse sobre a terra. Rud, que no momento olhava para tal acontecimento, reparou que no céu se formava uma figura humana no topo de uma montanha; não demorou muito tempo para que todos também conseguissem ver, já que a forma se tornou física. Com um enorme machucado em seu peito, além dos demais pelo corpo, o ser de tamanho colossal disse de cima da montanha:
— Alguns acham que vos abandonei, e outros ousam pensar que eu morri! — exaltava com sua voz pesada que se estendia à vales.
— Mas saibam que a partir de hoje, toda minha criação chegará ao fim — dizia Deus com um sentimento de ira a todos que pudessem ouvir.
Os cidadãos da pequena cidade se agitaram, o sentimento de temor tomou seus corações, fazendo com que comentários como “O que está acontecendo?” ou “Ele é Deus?!” se tornassem cada vez mais comuns naquele momento.
Rud em meio a multidão decidiu ir até sua casa, e quando chegou, preparou um pequeno kit de viagem que colocou em sua trouxa juntamente com seu diário. Então o senhor de quase meia idade se dirigiu em direção ao topo da montanha enquanto magos e bruxos faziam o mesmo. Quando havia subido 1/3 da montanha, Deus novamente se dirigiu a humanidade dizendo:
— Que por vossos pecados, as criaturas vorazes saiam dos confins mais profundos da terra — disse com sua voz lenta e pesada, enquanto que criaturas de aparência humana, cujos dentes e unhas eram afiados, saíssem de dentro do solo.
Ao escutar isso, Rud começou a pensar sobre a segurança dos aldeões, porém o foco em sua missão era maior. Com as criaturas atacando todo e qualquer ser que se movia, se foi a tarde e a noite do primeiro dia.
No dia seguinte, após uma noite de dificuldades sem dormir, Rud ainda continuava sua caminhada. Então debaixo das nuvens que haviam ficado cor de sangue e sobre a escuridão do dia, Deus se pronunciou novamente:
— Que chuva de fogo caia sobre essa terra — impôs sobre os céus.
Então tais palavras fizeram com que fragmentos de enormes meteoros caíssem contra o chão, destruindo vilas e centros populacionais. Rud com sentimento de aperto, tendo uma visão privilegiada da destruição decorrida, no qual era cada vez mais fácil notar bruxos e magos indo até Deus, continuou sua caminhada anotando tudo que era possível em seu diário. E assim foi o dia e a noite do segundo dia.
Durante a escura tarde, enquanto Rud ferido descansava após uma batalha com Onis, Deus se pronunciou:
— Que o céu chore por cada pecador desta terra.
Isso faz com que uma chuva incessante caia do céu por três dias, fazendo com que o nível do mar suba cerca de dois metros. Cidades que antes eram costeiras estavam sendo completamente alagadas, e pequenas vilas a quilômetros da costa se tornaram as novas praias. Já a chuva que caía sobre a montanha, criava uma grande e gélida fortaleza onde Deus habitava. E assim foi o dia e a noite do terceiro ao quinto dia.
Durante a manhã, após o cessar da chuva, Deus rudemente fala:
— Que se faça as trevas igual o quão mau é o homem.
Trazendo aos céus as trevas do mais profundo e escuro abismo. Rud quando chegou ao topo da montanha se deparou com centenas de bruxos e magos tentando conversar com Deus, e alguns até tentando feri-lo, porém, morriam inesperadamente por um ataque cardíaco. Rud escrevia tudo que via em seu diário, até que uma pequena mulher em meio a todas aquelas súplicas chamou atenção do ser colossal.
— Oh meu Deus, perdoe nosso pecado, nos dê uma chance — suplicava Anna sem saber qual pecado a humanidade havia cometido.
Deus indignado com a fala da mulher respondeu:
— Você fala como se as outras não tivessem existido — diz com hostilidade em seu tom.
Nesse momento os olhos de Anna começam a sangrar o vermelho mais vivido do que o céu, e juntamente com todos que suplicavam por piedade, morrem lentamente dando fim em suas vidas. Rud, que apenas via de longe com o diário em seus braços, corre desesperado para o mais longe possível. E assim foi a manhã e a noite do sexto dia.
No sétimo dia tudo se interrompeu, nuvens se dispersaram, de todas as pragas, apenas a da noite permaneceu, e por fim, Deus com seu tamanho reduzido havia ido descansar em sua fortaleza.
Encontrado por um grupo de bruxos que subia a montanha, ao primeiro sinal de interação, Rud cai no chão com os olhos sem vida e morre ali mesmo. E assim foi o sétimo dia.